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Luiz Rodrigues da Fonseca
Nestes dias que correm céleres como água de uma represa que ruiu, muito pouca gente tem tempo e condições para um instante de meditação.
A maioria esmagadora das pessoas se limita a um cumprimento de dever religioso aos domingos, quando, de farpelas limpas ou novas, ostentam uma religiosidade exterior enquanto outra, indiferente e até zombeteira traz o céu dento de si e acham ser donas do mundo e sapiência.
Tem um grupo de religiosos domésticos que só rezam em casa ao deitarem-se.
Existe também o grupo dos loucos que rezam a sós pela manhã ou madrugada, que concentram suas mentes no infinito e buscam a soberana voz do silêncio: procuram unir suas mentes á mente infinita, e, numa prece muda, mas ardente, desejam paz e harmonia para toda a humanidade sofredora do corpo e da alma.
Não querem saber se têm inimigos ou se dele se escandalizam.
São estes os suportes do mundo atual, conturbado e sombrio, cheio de crimes em nome da lei.
A estes valorosos mestres anônimos que nunca se beneficiam com os corredores dos palácios suntuosos, quero prestar minha singela homenagem.
Quero render-lhes meu preito de gratidão pelo que são e suportam,
para dar a humanidade um pouco daquilo que ela ignora.
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